Romaldo e Malvina: O grupo de teatro que marcou gerações na região serrana
Entre risos, improvisos e histórias que emocionavam o público, o grupo teatral “Romaldo e Malvina e sua Turma” marcou uma geração na região serrana de Vale do Sol. Criado no início dos anos 2000, o projeto nasceu da paixão pelo teatro comunitário e se transformou em uma das referências culturais da época.
A trajetória começou ainda durante as apresentações natalinas promovidas nas comunidades, tradição incentivada pelos pastores locais. Aos poucos, os jovens envolvidos foram desenvolvendo gosto pelo palco, até decidirem criar um grupo próprio e levar peças para outras localidades e municípios.
Inicialmente chamado de “O Sentido da Vida”, o projeto reunia cerca de 25 jovens e aborda temas ligados à realidade das famílias, conflitos cotidianos e situações com as quais o público facilmente se identificava. As apresentações emocionaram e geravam grande envolvimento da comunidade.
Foi nesse contexto que surgiram os personagens Romaldo e Malvina, criados para trazer momentos de humor e descontração às peças. A dupla rapidamente conquistou o público de todas as idades, tornando-se símbolo do grupo. Mais tarde, o projeto passou a se chamar “Romaldo e Malvina e sua Turma”, ligado ao grupo Lavrarte.
O grupo esteve ativo entre os anos de 2002 e 2007. Entre os integrantes estavam Adriano Schumacher, no papel de Romaldo; Cláudia Arendt Voese, interpretando Malvina; Jaqueline Estela Hein, como Fonsina Jericó; e Cristiano André Einloft, no papel de Cebaldo.
Os ensaios aconteciam semanalmente e toda a estrutura era organizada pelos próprios integrantes. Cenários, montagem de palco, iluminação e produção eram feitos de forma independente. Além disso, as peças eram escritas pelo próprio grupo, que também produzia músicas autorais apresentadas durante os espetáculos.
Apesar das dificuldades financeiras e da falta de apoio, o grupo mantinha o projeto com dedicação. Todo o valor arrecadado nas apresentações era reinvestido em divulgação, figurinos, cenários e despesas de locomoção.
Além das apresentações marcantes, o grupo guarda lembranças divertidas dos improvisos em cena, que frequentemente arrancavam risadas até dos próprios atores. Entre as histórias mais lembradas está a de uma mulher grávida que contou ter rido tanto durante uma apresentação que sua filha nasceu no dia seguinte.
Para a comunidade, o teatro representava alegria, orgulho e diversão. Os espetáculos sempre eram recebidos com entusiasmo, e o público constantemente incentivava a criação de novos episódios.
Com o passar do tempo, porém, cada integrante acabou seguindo caminhos diferentes. As responsabilidades da vida adulta e a falta de retorno financeiro contribuíram para o encerramento das atividades do grupo.
Mesmo assim, a memória de Romaldo e Malvina permanece viva entre aqueles que acompanharam as apresentações. E sobre uma possível volta aos palcos, os integrantes deixam no ar uma esperança: “Nada é impossível. Só o tempo irá responder.”
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