• 01 de Maio de de 2026
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Passaram-se dois anos da enchente que devastou Sinimbu

Passaram-se dois anos da enchente que devastou Sinimbu
Passaram-se dois anos da enchente que devastou Sinimbu
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Leitora fala de sentimentos e de um dia que jamais será esquecido
Às vésperas de completar dois anos da enchente que causou um caos no município de Sinimbu, com maior destruição no centro, em 30 de abril de 2024, a aposentada Môni Wagner Martins, de 63 anos, procurou a reportagem para relatar os sentimentos e as marcas deixadas pela tragédia que transformou a rotina de milhares de famílias.
Moradora da Rua José Miguel Backes, ela relembra que aquele foi um dos momentos mais difíceis já vividos pela comunidade. A enchente atingiu tanto a área urbana quanto o interior, causando perdas materiais, emocionais e deixando um cenário de destruição. “Foram dias de dor, perdas e muita luta. Muitas famílias perderam tudo!”.
Nos primeiros dias após o desastre, a situação foi considerada crítica, pois faltava o básico, o que até então era considerado automático em suas vidas: a água, alimentos, energia elétrica e o ir e vir. O isolamento de diversas localidades, problemas de saúde e a dificuldade de comunicação agravaram ainda mais o cenário.
Muitas pessoas precisaram ser encaminhadas para abrigos provisórios, resgatadas com helicópteros para tratamento de saúde, entre muitas situações que limitavam as pessoas, inclusive, em ações que consideram corriqueiras. “Nada disso tínhamos visto em nossas vidas”.
Apesar das dificuldades, a solidariedade se destacou. Voluntários de diferentes regiões chegaram ao município para ajudar na limpeza de casas e comércios, além de prestar apoio às famílias atingidas. “Pessoas que nem nos conheciam vieram com carinho e dedicação ajudar quem mais precisava”, lembra Môni.
Ela também relembra momentos marcantes da tragédia, como a rápida subida do Rio Pardinho, que pegou moradores de surpresa.
Houve resgates dramáticos, com pessoas sendo retiradas de telhados por barcos e helicópteros. Muitas famílias perderam documentos e lembranças de uma vida inteira. Ainda assim, houve união: vizinhos acolheram uns aos outros, mesmo diante da falta de acesso e de energia.
Para Môni, momentos de lembrança como este exigem respeito e sensibilidade. “Este recordar, diante de tudo o que foi vivido, precisa ser falado com cuidado, silêncio e emoção. Não foi só um momento de desespero, foi um sentimento forte que permanece e está no silêncio de quem lembra e na oração de quem agradece por estar vivo”.
Com o passar do tempo, a reconstrução avançou, mas as marcas permanecem. Segundo ela, nada voltou a ser como antes. A dor e o medo ainda fazem parte da realidade, especialmente quando chove. “Existe ansiedade e insegurança, mas também algo mais forte: a fé, que sustenta e faz acreditar”.
Môni também chama atenção para desafios que ainda persistem, como a burocracia em processos de reconstrução, incluindo licitações de pontes e bueiros, além da falta de mão de obra, que dificulta a recuperação completa das áreas atingidas.
Dois anos depois, Sinimbu segue reconstruindo não apenas estruturas, mas também histórias de vida. Entre perdas e recomeços, a comunidade mantém viva a memória daquele 30 de abril que jamais será esquecido.
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A enchente de 2024 foi provocada por um volume de chuva superior a 300 milímetros em um único dia e afetou grande parte do Rio Grande do Sul. Dos 497 municípios do Estado, 441 registraram impactos cerca de 90% do território gaúcho, e o centro de Sinimbu entre outros, ficaram debaixo d'água.
Fotos e vídeos: enviados Môni Wagner Martins
Vanusa

 

Vanusa

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