Há décadas a situação fica se repetindo, entre ‘menos pior’ e horrível
Na noite de ontem, 14 de junho de 2026, vários moradores de Pinhal Santo Antônio, interior de Sinimbu, entraram em contato com o Jornal Serrano, com aquela frase conhecida: “não sabemos mais a quem recorrer!”.
O Jornal Serrano já fez mais de dez reportagens sobre esta água no decorrer dos anos, e neste período, mudou governo várias vezes e as reportagens continuam, porque governo A nem B, ofereceu uma solução definitiva para esta situação, em que os moradores descrevem como água podre, fedorenta e escura, que estraga as roupas que se veem obrigados a lavar, que causa problemas de estomago a quem não consegue alternativas, água em questão, retirada de um açude. Neste povoado, residem também crianças e idosos, e estes acabam sendo os mais afetados, as crianças para ter roupas e calçados limpos pra ir a escola em um período de frios intensos e os idosos desde ter uma água pra tomar um remédio, lembrando que no interior não tem um comércio em cada esquina, para que possam se prover basicamente de água.
Oito pessoas entraram em contato, seis enviaram relatos, imagens e vídeos, e duas enviaram somente imagens e vídeos.
A leitora Lurdes Moura teve a iniciativa de contatar o Jornal Serrano, e após convidou os demais moradores para participar da entrevista. “Moramos eu e meu marido aqui nesta localidade, e não tem mais como nos calar, não tem mais como utilizar esta água. Pra ter uma ideia, nem louça não dá mais pra lavar, chegou ao extremo, ao ligar a torneira o ambiente fica tomado por um fedor de podre”.
Fernando Schuh Bennemann contou que em maio faz cinco anos que reside em Pinhal Santo Antônio. “Desde quando cheguei aqui enfrentamos esse problema. Uma água insalubre, suja, sem condições de uso. Normalmente apresenta muita terra juntamente com lodo, e cheiro forte, impossível de beber”.
Seguiu relatando que quando falam com os responsáveis pelo tratamento da água não obtém respostas, de autoridades do município, apenas o silêncio, mostrando o total desdém pela calamidade pública enfrentada. “Alguns vereadores, inclusive, já tentaram expor o problema na Câmara de Vereadores, contudo a câmara e a gestão municipal, não mostrou nenhum tipo de respaldo, ou solução para o problema que vem se arrastando há anos, e se intensificado nos últimos meses”.
Seguiu falando: “Nossa intenção ao entrar em contato com o Jornal Serrano, é que através de uma reportagem, a gestão municipal se coloque à disposição e retorne, ao que, o povo dessa comunidade já vem pedindo há anos, se posicionando com uma solução, no mínimo razoável por questões de saúde pública, que vem sendo menosprezada através do tempo. Que além de termos uma água captada de um açude ao lado de uma lavoura de tabaco, a água vindo de todas as maneiras menos potável, nos obriga a além de pagar as taxas a comprar água no supermercado”.
Por fim, disse: “Deixo claro também, que não tenho nenhum vínculo trabalhista ou político com o município, apenas sou munícipe. E creio que tenho o direito de pedir e clamar por uma água potável”.
Claudete Steinhaus entre muitas colocações iguais à de Fernando, falou: “a péssima água que estamos recebendo não dá pra lavar roupas, banho saímos cheirando barro, nem aos cães não dá para dar pra beber. Nunca foi boa, mas faz dois meses que está preta, cheiro de peixe podre. Já me manifestei no Facebook, enviei a situação ao secretário de Obras de Sinimbu e nada fazem. Peço se puder nos ajudar Jornal Serrano”.
Regis Jones Godoy entrou em contato e enviou vídeo e publicação nas redes sociais da situação, relatando também na precariedade da iluminação pública em frente de sua casa.
Elisângela de Andrade, além de confirmar o que os demais relataram, lembrou que mesmo com a realização de limpeza frequente do reservatório não resolve o problema. “No inicio do ano, quando procurei saber quem era o responsável pelo tratamento da água não obtive nenhuma resposta, estou no aguardo até hoje. Esse silêncio mostra o desinteresse em resolver essa calamidade enfrentada a tempo”.
Na manhã de hoje, dia 15 de junho de 2026, entrou em contato também o morador e vereador Roque Folmer. Ele disse que tem levado a situação há várias semanas ao plenário da Câmara de Vereadores de Sinimbu, inclusive, tem levado a água para mostrar a realidade, no entanto, até então, nada foi feito para resolver. “Também sou usuário desta água, no entanto tenho um poço próprio pra emergência, que divido com quem precisa, mas não é possível abastecer a todos, assim como nem todos conseguiriam buscar esta água. A situação está muito grave e os órgãos competentes não tomam providências, e é visível até pra leigos, que a agua não é potável, não é própria para consumo humano. A única providência que tomaram ao entupir o primeiro reservatório de filtragem foi colocar o motor direto no açude, depois viraram as costas e o povo vive esta realidade, infelizmente”.
Perguntamos o que realmente causa esta situação, o que nem os moradores sabem explicar de forma correta, por haver mais de uma caixa no local e não saberem a dinâmica de uso de cada uma, então, ele explicou que o motor é colocado em um reservatório que se encontra fora do açude, onde é feito a primeira filtragem. Depois ela segue para caixa, passa por mais uma filtragem, e por fim, segue para uma caixa em que deveria estar limpa, para ser distribuída ao consumo. “No entanto, o que acontece é que no primeiro reservatório de filtragem, por falta de limpeza, meio que entupiu, começou a faltar água nas torneiras, com isso, eles colocaram o motor direto no açude, e por ela entrar muito suja, o primeiro processo de filtração não consegue fazer o trabalho completo, e assim sucessivamente, chegando às casas a água que eu e demais moradores enviamos por vídeo”.
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